O crescimento de mais de 400% na produção de cerveja sem glúten no Brasil representa uma oportunidade de negócio para microcervejarias. A informação é do Anuário da Cerveja 2026, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O aumento da procura por esse tipo de bebida ocorre próximo ao Dia Internacional da Cerveja, comemorado em 7 de agosto.
Segundo Cecília Morais, analista do Sebrae/MG, a busca por produtos sem glúten vai além das pessoas com doença celíaca ou intolerância. “Existe hoje uma procura por produtos associados à saudabilidade, ao bem-estar e à qualidade dos ingredientes”, afirma. Ela destaca que o movimento também é observado em outros segmentos, como cervejas sem álcool ou com baixo teor alcoólico.
Para as microcervejarias, a diversificação do portfólio é vista como uma estratégia de mercado. “O consumidor não busca apenas uma bebida, mas uma experiência. Uma cerveja sem glúten que mantém boa qualidade sensorial pode se tornar um diferencial competitivo”, acrescenta Cecília.
A Cervejaria Dádiva, de Várzea Paulista (SP), foi uma das primeiras a produzir versões IPA sem glúten e sem álcool, lançadas em 2019. A sócia-fundadora Luiza Lugli Tolosa afirma que havia demanda do público e desejo da empresa de ampliar o portfólio. “Como o sabor da nossa IPA é o mesmo da versão com glúten, o consumidor que prefere um produto sem glúten, mesmo sem restrição de saúde, opta pela mesma experiência sensorial”, explica.
A Cervejaria Alcapone, de Porto Alegre, lançou em 2017 a primeira IPA Sem Glúten do país. O sócio Andrews Calcagnotto diz que a empresa foca na qualidade dos produtos e na inovação. “A gente não vai brigar no preço, prejudicando a qualidade. A gente foca na qualidade dos insumos e tenta inovar, trazer estilos diferentes”, afirma.
Exportações e mercado
O MAPA registrou 1.954 cervejarias no Brasil em 2025, o maior número da série histórica. São Paulo lidera com 452 registros, enquanto o Rio Grande do Sul teve 36 encerramentos. O número de marcas registradas chegou a 56.170, alta de 2,1% em relação a 2024.
As exportações de cerveja brasileira alcançaram US$ 218,3 milhões, recorde da série histórica, com superávit de US$ 195 milhões na balança comercial. A bebida foi enviada para 77 países.
Apoio a microcervejeiros
O Sebrae Minas acompanha as tendências por meio do programa Prepara Cervejas Artesanais. Cecília Morais explica que o programa oferece diagnóstico e consultoria para o desenvolvimento de novos produtos. “A procura hoje é grande por cerveja sem glúten, com baixo teor alcoólico ou zero álcool. Nosso objetivo é transformar essas tendências em oportunidade de negócio”, diz.
