O Sebrae e a Unidade de Ciências Comportamentais do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (CINCO) se uniram para aplicar as ciências comportamentais em políticas públicas voltadas a micro e pequenas empresas (MPEs).
Um projeto-piloto, realizado entre o final de 2025 e abril deste ano, usou experimentos com centenas de pequenos negócios. As conclusões mostraram que é possível desenvolver políticas públicas mais eficazes sem aumentar os custos, partindo do comportamento real das pessoas.
A área das ciências comportamentais estuda os processos de decisão em contextos reais. A parceria entre as duas instituições aplicou esse conhecimento ao empreendedorismo.
A iniciativa apontou que o principal obstáculo para empreendedores acessarem programas públicos não é a falta de vontade ou de informações. A dificuldade está na distância entre o conhecimento e a execução, considerando rotinas exigentes, recursos limitados e tempo escasso. Soluções simples, que chegam pelo canal certo, no momento certo, com linguagem acessível, podem reduzir essa distância.
Gestores públicos, pesquisadores, líderes comunitários, empreendedores e especialistas em comportamento participaram de uma maratona online de quatro dias. Antes, foi feito um mapeamento dos problemas para transformar desafios gerais em perguntas sobre comportamentos específicos.
Dois desafios foram selecionados para o projeto. O primeiro era ajudar mulheres empreendedoras de periferias na organização financeira de seus negócios. A dificuldade não estava em aprender finanças, mas em implementar uma rotina de organização que se encaixasse em suas vidas.
O segundo desafio buscou aproximar microempreendedores individuais (MEIs) das compras públicas. Apesar de o governo ter movimentado mais de R$ 1 trilhão em 2025, a maioria dos MEIs ainda não participa do processo por considerar o sistema complexo e burocrático.
Os experimentos testaram as ideias por seis meses. Para o planejamento financeiro, foi desenvolvido um assistente digital via WhatsApp, com inteligência artificial, que ajudava no registro de entradas e saídas, enviava lembretes e propunha metas.
Nos grupos de mulheres que recebiam lembretes e metas, a frequência de registros mais que dobrou. Quando o assistente usava uma linguagem acolhedora, mais mulheres passaram a consultar seus resultados.
Para as compras públicas, mensagens foram enviadas a MEIs elegíveis para a plataforma Contrata+Brasil. Um ciclo foi via WhatsApp, com 4.281 mensagens enviadas, gerando 3.190 leituras e nove cadastros. Outro ciclo foi por notificações no aplicativo Gov.br, alcançando 8.618 pessoas, com 375 aberturas de mensagem e seis cadastros.
O experimento mostrou a importância do caminho até a ação. No WhatsApp, a mensagem tinha um link direto. No Gov.br, o processo exigia mais etapas. Cada passo adicional reduziu a taxa de conversão. Quase todos os cadastros ocorreram no mesmo dia do recebimento da mensagem.
