A Cachaça de Alambique do Circuito das Águas Paulista é a mais nova Indicação Geográfica (IG) brasileira. Com apoio do Sebrae, o selo de qualidade foi concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) nesta terça-feira (21). O reconhecimento valoriza a tradição histórica, a qualidade e o saber-fazer dos produtores de nove municípios do estado de São Paulo.
A área delimitada da nova IG nacional – a 9ª concedida para cachaça – compreende os municípios de Águas de Lindoia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindoia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro. A IG é da espécie Indicação de Procedência (IP). Esse tipo de selo reconhece o nome geográfico de um local que se tornou conhecido como centro de produção de um determinado produto.
A outra espécie de IG é a Denominação de Origem (DO), que protege o nome de uma região cujos produtos possuem qualidades ligadas às peculiaridades do meio geográfico, incluindo fatores naturais e humanos. Atualmente, as cachaças com IG da espécie IP incluem também as de Salinas (MG), Microrregião Abaíra (BA), Morretes (PR), Viçosa do Ceará (CE), Areia (PB) e Orizona (GO). Já as cachaças com IG da espécie DO são de Paraty (RJ) e Luiz Alves (SC).
O Sebrae apoia produtores na obtenção do selo de IG por meio de ações como diagnósticos de potencialidade, organização de associações e conselhos reguladores, elaboração do dossiê técnico e estruturação do pedido de registro junto ao INPI. Para a coordenadora de Negócios de Base Tecnológica do Sebrae, Hulda Giesbrecht, a conquista é um marco para o desenvolvimento local integrado.
Hulda comentou que o selo do INPI fortalece o valor de mercado do produto e abre perspectivas para novos mercados, inclusive internacionais. No Acordo Mercosul-UE, por exemplo, a alíquota atual de 8% para a cachaça brasileira será reduzida gradualmente em quatro anos até zerar para garrafas de até 2 litros. Também há uma cota de 2.400 toneladas com tarifa zero para o produto a granel.
Com esse novo reconhecimento, o número total de Indicações Geográficas nacionais sobe para 165. Desse total, 131 são Indicações de Procedência e 34 são Denominações de Origem. Antes da Cachaça de Alambique, a última IG reconhecida pelo INPI havia sido o Alho Roxo do Planalto Catarinense, no fim de junho.
Histórico e produção local
Os nove municípios do Circuito das Águas Paulista somam 177.791 hectares de área delimitada, com mais de 350 alambiques e produtores em atividade. O pedido de registro da IG foi depositado em agosto de 2025 pela Associação de Produtores de Cachaça de Alambique do Circuito das Águas Paulista (APCCAP), com apoio técnico e metodológico do Sebrae.
A produção de cachaça de alambique na região é centenária. Ela está ligada à colonização italiana e à cultura cafeeira, onde a cana-de-açúcar historicamente ocupava áreas de encosta. O grande diferencial da bebida está na qualidade da água local, mundialmente famosa por suas propriedades mineralógicas. O relevo montanhoso e o microclima também favorecem uma fermentação e um envelhecimento singulares.
