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Couro de peixe de Pontal do Paraná é a 160ª IG nacional

Couro de peixe de Pontal do Paraná é a 160ª IG nacional

O município de Pontal do Paraná, no litoral do estado, a 100 km de Curitiba, conquistou nesta terça-feira (12) a 160ª Indicação Geográfica (IG) nacional. O registro, do tipo Indicação de Procedência (IP), foi concedido ao couro de peixe produzido na região. O reconhecimento foi emitido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e integra um processo de valorização da cultura e das técnicas locais, apoiado pelo Sebrae.

A produção de couro de peixe em Pontal do Paraná começou em 2007, a partir de uma iniciativa do programa Universidade Sem Fronteiras, da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti/PR). O objetivo era transformar resíduos da pesca artesanal, como peles de robalo, linguado e tilápia, em matéria-prima sustentável e fonte de renda para a população local.

Atualmente, são 16 produtores com atuação direta, e o benefício indireto alcança cerca de 30 famílias. Os insumos são voltados para indústrias de calçados, designers que aplicam o material em móveis, estilistas para uso em bolsas, além de artesanato em brincos, colares e chaveiros. Os produtos já foram vendidos para países como Alemanha, França e Portugal.

A presidente da Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná (ACPPP), Ana Maria de Oliveira Ferreira de Almeida, afirmou que a IG trará mais visibilidade e reconhecimento ao trabalho. “Isso fortalece a geração de renda na nossa comunidade, assim como a cultura, artesanato e o saber fazer”, disse.

A busca pela IG teve início em 2023, com a estruturação da associação, capacitações e a formatação do caderno de especificações. O pedido foi depositado em outubro de 2025. Entre as espécies indicadas no caderno estão peixes de água salgada ou doce, como linguado-abaxial, robalo flecha, robalo peva, parú, corvina, pescada amarela, miraguaia, tainha, prejereba, peixe porco, cavala, salmão e tilápia.

A coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae, Hulda Giesbrecht, destacou que, com a IG, os pequenos produtores se tornam mais competitivos no mercado, aliando sustentabilidade e tecnologias inovadoras. A consultora do Sebrae PR, Aline Geani Barbosa dos Santos, afirmou que o reconhecimento fortalece a cadeia produtiva local, estimula a governança e abre novas oportunidades comerciais.

Com essa conquista, o número de IGs nacionais sobe para 160, sendo 127 IPs e 33 Denominações de Origem (DOs). O Paraná conta agora com 26 IGs, o maior número entre os estados. Apenas em 2026, já foram quatro reconhecimentos: o couro de peixe de Pontal do Paraná, o ginseng de Querência do Norte, o Café da Serra de Apucarana e as tortas de Carambeí. Cinco produtos do estado têm pedidos depositados e em análise no INPI: acerola de Pérola, pão no bafo de Palmeira, cervejas artesanais de Guarapuava, mel de Capanema e cambira, prato típico de Pontal do Paraná.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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