O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, esteve em São Paulo na terça-feira (21) para conhecer os primeiros resultados do Fundo Germina. O programa de investimento tem patrimônio de R$ 100 milhões e é voltado para pequenos negócios inovadores com potencial de escala. O fundo conta com parceiros de governança, como o banco BTG e empresas de venture capital.
“São recursos que geram resultados, ao alcançar startups que contribuem para melhorar o ecossistema de inovação da economia”, disse Soares. Ele conheceu a trajetória de José Neto, fundador e CEO da Bull Banker, que desenvolve infraestrutura tecnológica para serviços de crédito financeiro. Em seis meses de operação, o Germina já comprometeu 25% do capital total, percentual acima da média para fundos governamentais.
“A gente não pode errar nesse programa. Temos que alocar esse capital para fazê-lo girar, de forma a proteger os interesses do Sebrae e, ao mesmo tempo, fomentar as empresas”, afirmou Ricardo Fernandes, gestor do Fundo Germina no BTG.
Trajetória do empreendedor
A história de José Neto começou com uma pequena empresa de crédito produtivo em Teresina (PI), inspirada no economista Muhammad Yunus, Nobel da Paz e pioneiro em microcrédito. O negócio oferecia crédito para microempreendedores e chegou a Fortaleza (CE), onde se tornou líder do setor no Nordeste. Há dois anos, Neto vendeu a empresa e se mudou para São Paulo. Ao lado de uma sócia, criou a Bull Banker.
“Somos uma plataforma que faz o meio de campo entre varejistas que oferecem produtos de crédito e sua base de clientes”, explicou. Para estruturar o negócio, ele buscou financiamento no mercado de capitais e, em agosto de 2025, foi selecionado pela Canary, parceira do BTG na aplicação dos recursos do Sebrae. A Bull Banker tem 32 funcionários, sendo 20 em São Paulo e 12 em Fortaleza.
Expansão do fundo
Valdir Oliveira, gerente de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae Nacional, afirmou que o fundo é complementar ao programa Capital Empreendedor. “Ainda que não seja uma empresa financeira, o Sebrae entra como investidor para alavancar investimentos, porque existe uma anomalia no mercado no que se refere ao financiamento de pequenos negócios”, disse. Segundo ele, o fundo deve crescer com a entrada dos Sebrae estaduais com novos aportes. “O Sebrae Nacional só estrutura os recursos”, esclareceu.
Giovanni Beviláqua, coordenador de Acesso a Crédito e Investimentos do Sebrae, afirmou que o Germina pode se tornar o maior fundo de investimento de pequenos negócios. “Pela capilaridade do Sebrae, esse fundo já nasceu grande”, considerou.
Marcos Toledo Leite, sócio da Canary, disse que o tempo de negociação para fechar um investimento pode levar de dois a três anos. “Nos últimos sete anos, 150 empresas foram investidas por nós, gerando mais de sete mil empregos.” Ele explicou que a maioria são empresas de pequeno porte que precisam de capital de longo prazo. Entre os critérios de escolha, estão dados, análise de risco e as pessoas envolvidas na iniciativa. “Quando gostamos muito do time, investimos”, revelou.
