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Turismo Kalunga: resistência vira referência nacional

Turismo Kalunga: resistência vira referência nacional

O Território Kalunga, localizado na Chapada dos Veadeiros, se tornou referência nacional em turismo de base comunitária. A região, que reúne cachoeiras e paisagens naturais, combina desenvolvimento econômico com a valorização da identidade quilombola.

O Sebrae Goiás atua no território desde 2005. A instituição apoia o empreendedorismo local e promove ações para preservar a cultura e a identidade do povo Kalunga. Entre as iniciativas estão o Projeto Vila Kalunga, cursos para condutores de visitantes, fortalecimento da agricultura familiar e estudos de marca.

Um estudo do Sebrae Goiás aponta que o turismo de base comunitária movimentou cerca de R$ 24 milhões nos últimos quatro anos. O território recebeu 140 mil visitantes no período.

O presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares, visitou a comunidade na última sexta-feira. Ele afirmou que o trabalho desenvolvido gera renda para as famílias e que o protagonismo é da própria comunidade.

Em abril, um convênio entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Sebrae Nacional estabeleceu ações para o processo de tombamento do território quilombola. O superintendente do Iphan em Goiás, Gilvane Felipe, disse que o tombamento representa proteção adicional para a área.

A liderança quilombola Cirilo dos Santos Rosa, de 72 anos, afirmou que o apoio do Sebrae e do Iphan é fundamental para proteger o território contra invasões e garantir os direitos das famílias.

A Comunidade Kalunga é considerada o maior território quilombola do Brasil. Formada há cerca de 300 anos, surgiu a partir de pessoas escravizadas que fugiram das minas de ouro. O território tem aproximadamente 260 mil hectares, com 39 comunidades e mais de 8 mil quilombolas.

O turismo se tornou atividade essencial para a sustentabilidade local. O trabalho como guia é passado entre gerações. A guia e empreendedora Dominga Natália disse que a atividade fortaleceu sua relação com o território e lhe trouxe autonomia financeira.

Atualmente, o território conta com mais de 200 guias. Os benefícios alcançam agricultores, produtores de alimentos orgânicos, comerciantes e grupos culturais. Os recursos gerados pelo turismo circulam dentro da própria comunidade.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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