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Angela Davis na Flip: supremacistas saíram do armário

Em visita ao Brasil pela décima vez, a escritora e ativista Angela Davis afirmou que os supremacistas brancos nos Estados Unidos “apenas saíram do armário”. A declaração foi dada em entrevista no Rio de Janeiro, antes de sua participação na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), marcada para o dia 25 de julho, no Sesc Caborê.

Davis, que é uma das principais referências do feminismo e do movimento negro, negou que a supremacia branca esteja em ascensão no país. Para ela, o fenômeno não representa um crescimento real desse grupo, mas sim uma maior exposição pública de posições que já existiam.

A ativista também comentou sobre a tentativa de equiparar o antissemitismo à solidariedade ao povo palestino. Segundo ela, essa é uma tática usada por conservadores. Davis afirmou que pesquisas nos EUA mostram que a maioria da população tende a apoiar a causa palestina, algo que considera lamentável ter sido necessário o conflito em Gaza para que essa sensibilidade política emergisse.

Em relação ao sistema prisional, Davis defendeu a abolição das prisões e a justiça transformativa. Ela argumentou que a sociedade precisa atender às necessidades das pessoas para evitar que sejam levadas a cometer crimes. A ativista criticou o uso de tecnologias como reconhecimento facial e algoritmos preditivos na segurança pública, classificando a prática como perigosa e baseada no racismo estrutural.

Questionada sobre o movimento “Defund the Police”, Davis afirmou que ele fracassou em grande parte devido a intervenções conservadoras, mas que as bases para a resistência continuam. Ela destacou que o governo Trump não destruiu o desejo de criar uma democracia real e de se posicionar contra o racismo.

Sobre a volta de Donald Trump ao poder, a ativista disse que isso ocorreu porque muitas pessoas deixaram de votar. Ela reforçou que a maioria da população não apoia o atual governo, citando estatísticas que indicam apoio de apenas um terço dos eleitores.

Davis também comentou sobre as decisões da Suprema Corte dos EUA, que restringiram ações afirmativas e revogaram proteções ao aborto. Para ela, essas decisões não refletem a opinião da maioria, mas sim a composição da Corte, escolhida por Trump. A ativista afirmou que as grandes mudanças políticas nunca vieram de um presidente, mas sim da organização popular.

Por fim, Angela Davis apontou a falta de organização como a maior fraqueza do movimento progressista atual. Ela lamentou que a esquerda ainda não tenha encontrado formas de se conectar com trabalhadores, jovens e grupos minorizados, o que atribuiu à concentração de riqueza e à ascensão dos bilionários.

Orides Fontela

Orides Fontela foi uma poeta brasileira nascida em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, em 1940. Ela é considerada uma das vozes mais originais da poesia brasileira do século XX. Sua obra, marcada pela concisão e pela intensidade lírica, explora temas como o cotidiano, a natureza e a condição humana.

Fontela publicou seu primeiro livro, “Transposição”, em 1969. Apesar de ter uma produção literária enxuta, com apenas cinco livros publicados em vida, sua poesia conquistou reconhecimento da crítica e de leitores. Ela faleceu em 1998, deixando um legado que continua a influenciar novas gerações de poetas.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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