O Sebrae e o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA/UFG) estão desenvolvendo o Brazilian Commerce Protocol (BCP), um protocolo brasileiro para conectar micro e pequenas empresas à nova geração do comércio digital.
A proposta do projeto é criar uma infraestrutura nacional, aberta, neutra e integrada, capaz de organizar informações de produtos e empresas em um padrão que possa ser usado por marketplaces, varejistas, plataformas logísticas e agentes de inteligência artificial.
Na prática, o empreendedor poderá criar e atualizar seu catálogo digital conversando com um agente de IA por canais como WhatsApp e Telegram. Ao enviar fotos e responder perguntas simples, a inteligência artificial organiza as informações, estrutura o catálogo e deixa os produtos disponíveis para diferentes canais digitais, sem necessidade de múltiplos cadastros ou conhecimentos técnicos.
O Sebrae participa levando ao projeto as necessidades reais dos pequenos negócios e contribuindo para que a tecnologia seja desenvolvida de forma acessível e aplicável à realidade das micro e pequenas empresas.
“A iniciativa também diminui barreiras tecnológicas para os empreendedores, que não precisarão dominar soluções complexas para tornar seus negócios visíveis em ambientes digitais impulsionados por IA”, explica o analista de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional, William Almeida.
O projeto integra o ecossistema AI Brasil, iniciativa que reúne conteúdo, comunidade e experiências para democratizar o uso da inteligência artificial no país. Na parceria, o CEIA/UFG contribui com a pesquisa e a construção tecnológica, enquanto o AI Brasil articula a conexão com o mercado, empresas e especialistas.
De acordo com Anderson Soares, fundador do CEIA-UFG e vice-presidente do IA Brasil, o protocolo brasileiro nasce compatível com o Universal Commerce Protocol (UCP), anunciado em janeiro de 2026 por um consórcio liderado por Google e Shopify, com participação de grandes varejistas e redes de pagamento globais.
“O protocolo brasileiro garante interoperabilidade global, mas incorpora as adaptações necessárias à realidade do país e às necessidades dos pequenos negócios, assegurando que o Brasil não apenas acompanhe esse movimento, mas participe dele com uma solução própria, aberta e neutra”, ressalta Soares.
Além de beneficiar os empreendedores, o protocolo também representa uma oportunidade para grandes plataformas de comércio eletrônico. Segundo Almeida, o protocolo pode reduzir custos de integração, estimular novos modelos de negócio e criar um ambiente mais aberto para o desenvolvimento de soluções com IA. Quanto mais empresas e plataformas conectadas, maior o potencial de geração de negócios para todos.
A versão preliminar da infraestrutura do BCP foi apresentada durante o Fórum E-commerce Brasil 2026, em São Paulo. A expectativa é que o protocolo entre em operação até o final do ano, com pilotos em cidades e setores específicos, começando pelo nicho do vestuário.
“Por ser uma iniciativa sem fins lucrativos, o BCP busca democratizar o acesso à tecnologia e organizar o comércio informal que já ocorre em canais de mensagem, mas de forma desestruturada”, finaliza Soares.
