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De esgoto a desenvolvimento: a transformação no Sul do Brasil

De esgoto a desenvolvimento: a transformação no Sul do Brasil

O X Congresso Internacional de Controle e Políticas Públicas, realizado em Belo Horizonte, apresentou experiências de desenvolvimento territorial. Uma delas começou com um problema de esgoto na tríplice fronteira entre Brasil e Argentina.

Em 2009, um grupo de prefeitos de municípios de Santa Catarina, Paraná e da província de Missiones, na Argentina, procurou o Sebrae. Eles pediram apoio para um projeto de arquitetura que resolvesse o esgoto em um rio que passava por uma praça. Na época, Bruno Quick, hoje diretor técnico do Sebrae, era gerente da Unidade de Políticas Públicas e recebeu o grupo.

Em vez de atender ao pedido específico, o Sebrae propôs organizar o território para gerar desenvolvimento. A solução foi aplicar a metodologia do LIDER, que hoje faz parte da Estratégia dos Territórios Empreendedores. Um piloto já havia sido feito no Rio Grande do Sul e a metodologia foi ajustada.

O grupo aceitou o desafio e aplicou a metodologia de desenvolvimento territorial. Hoje, a região, conhecida como La Frontera, conta com um dos principais laboratórios lácteos, indústria ativa e educação pública com acesso a tecnologia. Entre os resultados estão o Parque Turístico Ambiental de Integração, que transformou uma área degradada em espaço de turismo, e projetos de saúde.

A região também teve melhorias logísticas e viárias, além de uma governança binacional ativa. Iniciativas de educação empreendedora, turismo, inovação e associativismo foram implementadas. Bruno Quick afirmou que o desenvolvimento territorial fortaleceu a articulação institucional e gerou resultados de integração e dinamização econômica.

O caso de La Frontera foi apresentado no congresso ao lado de outras duas experiências: o Território Empreendedor da Ibiapaba, no Ceará, e o Movimento Integra Chapadas. Esses exemplos estão entre os 130 Territórios Empreendedores do Sebrae, que envolvem mais de 1,5 mil municípios e 5 mil lideranças. Quick destacou que o desenvolvimento territorial é um desafio de comportamento, não de tecnologia.

O congresso também mostrou a atuação dos tribunais de contas, que passaram a mapear boas práticas e soluções. O Sebrae trabalha o desenvolvimento territorial em três etapas: visionar, que envolve a leitura do território com indicadores; traçar caminhos, com planos locais; e protagonizar a transformação, com a governança local assumindo a execução e o monitoramento da agenda de desenvolvimento.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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