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Escolaridade de empreendedoras negras salta 16,8 p.p. em 13 anos

Escolaridade de empreendedoras negras salta 16,8 p.p. em 13 anos

Empreendedoras negras com Ensino Superior tiveram um aumento de 16,8 pontos percentuais em 13 anos. O dado é de uma pesquisa do Sebrae. Atualmente, 24,8% delas possuem diploma universitário. No mesmo período, o crescimento entre homens negros donos de negócio foi de 8,6 pontos percentuais.

O estudo “Empreendedorismo Negro no Brasil Sob a Ótica da PNAD Contínua” mostra a evolução da escolaridade nesse grupo. Em 2015, o Ensino Médio se tornou o nível educacional mais comum, superando o Fundamental Incompleto. Em 2022, o Ensino Superior passou a ocupar a segunda posição.

Apesar de serem mais instruídas, as empreendedoras negras recebem menos que os empreendedores brancos. Enquanto 33,6% dos empresários brancos têm Ensino Médio, o índice entre as mulheres negras é de 42,2%. Mesmo assim, o rendimento delas é inferior a 56% do que ganham os brancos.

As mulheres negras concentram os menores rendimentos entre todos os grupos analisados. Elas ganham pouco mais de R$ 2 mil por mês. Esse valor corresponde a 54% do rendimento de mulheres brancas donas de negócio. No outro extremo, o empreendedor branco fatura, em média, R$ 5.144 mensais.

Atualmente, uma em cada três empreendedores negros é mulher. No último trimestre de 2012, as mulheres negras representavam 30,3% do total. Hoje, apesar de um aumento de 1,9 ponto percentual, elas ainda são minoria entre os empreendedores negros.

Mesmo em menor proporção, as empreendedoras negras têm o maior percentual de chefes de domicílio: 57,9%. O número supera o de empreendedoras brancas e de donos de negócio brancos e negros. A pesquisa também aponta que as mulheres negras dedicam 33 horas semanais ao negócio. Homens negros investem 39 horas, e os brancos, 41 horas por semana.

O grupo feminino, independentemente da raça, permanece abaixo da média total de horas trabalhadas. A diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Margarete Coelho, afirma que a instituição atua para fortalecer o empreendedorismo feminino. Ela, porém, aponta desafios estruturais.

“Um dos motivos para essa condição ainda muito desigual pode estar na divisão de tarefas nos lares brasileiros. Infelizmente, sabemos que a cultura da rotina doméstica, da forma como se dá hoje, massacra o potencial de muitas futuras empresárias e dificulta o crescimento de vários negócios liderados por mulheres”, diz Margarete. O chamado “trabalho invisível”, que envolve cuidados com a casa, filhos e idosos, provavelmente está por trás desses dados, segundo a diretora.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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