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Família ribeirinha transforma saber ancestral em renda na Amazônia

Notícias17 de agosto de 20262 min de leitura
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Família ribeirinha transforma saber ancestral em renda na Amazônia
Novos rótulos das Amélias valorizam o carimbó e a identidade cultural amazônica | Foto: Rafa Neddermeyer

Uma família ribeirinha liderada por mulheres em Belterra (PA) transformou o conhecimento tradicional sobre a floresta em fonte de renda e preservação ambiental. A Associação das Amélias, criada em 2018 na comunidade São Domingos, primeira da Floresta Nacional do Tapajós, começou aproveitando sementes de andiroba que antes eram descartadas e hoje produz biocosméticos artesanais com matérias-primas amazônicas.

O grupo é coordenado por Marilene Dias da Silva, a Marica, Marileide da Silva Monteiro e Marcilene Silva Costa, com apoio do irmão Marenildo Dias da Silva. Ao todo, 16 pessoas participam das atividades produtivas na comunidade. A iniciativa partiu da observação da família de que as sementes de andiroba, abundantes na região, eram desperdiçadas.

“A andiroba se perdia, era jogada fora ou queimada. Como já tínhamos esse conhecimento passado de geração em geração, resolvemos nos organizar e começar a trabalhar com ela”, conta Marcilene Silva Costa.

Todo o processo produtivo é feito de forma artesanal pelas associadas, com insumos retirados da floresta de maneira sustentável. Além do óleo de andiroba e copaíba, o grupo utiliza sementes, cipós, ervas e corantes naturais como urucum para fabricar sabonetes, velas, repelentes, incensos e outros produtos. Até resíduos como casca e massa da andiroba, antes descartados, passaram a ser reaproveitados.

“A gente não quer só viver na floresta, mas também viver da floresta. Tudo que usamos vem daqui e é aproveitado de forma consciente”, afirma Marcilene.

O fortalecimento da marca ganhou novo impulso com a participação no projeto Iconografia Local – Bioma Amazônico, do Sebrae, que ajudou a reformular a identidade visual dos produtos com referências ao carimbó e elementos culturais do território. Segundo Marcilene, o trabalho ampliou a visão das associadas sobre posicionamento e mercado. “O Sebrae trouxe uma nova visão, principalmente na organização dos rótulos e na valorização da nossa identidade. As cores representam o nosso carimbó, a nossa comunidade e aquilo que nós somos”, destaca.

Além dos biocosméticos, a associação desenvolve o Roteiro das Amélias, experiência de turismo de base comunitária com trilhas, visita a meliponário de abelhas nativas e apresentações de carimbó. Com apoio do Sebrae e parceiros, o grupo conquistou editais, lançou loja virtual e busca envolver jovens da comunidade no empreendimento.

“Quando a gente vai coletar, não tira tudo da floresta. A gente usa apenas o necessário e pensa também no futuro, para que outras pessoas possam continuar vivendo daqui”, afirma Marcilene.

Projeto impulsiona bioeconomia no Baixo Amazonas

Desenvolvido pelo Sebrae desde 2024, o projeto Iconografia Local – Bioma Amazônico fortalece a economia criativa no Baixo Amazonas. A iniciativa reuniu 20 empreendedores em oficinas, mentorias e capacitações sobre gestão, inovação e acesso a mercados. O trabalho resultou no lançamento de uma publicação durante a COP 30 e impulsionou negócios de moda, biojoias, mobiliário e artesanato inspirados na cultura amazônica.

Leia também: veja o índice de entretenimento e veja o índice de noticias.

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