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Governo licita supercomputador de IA de R$ 1 bi no RN

Máquina de 7,2 mil petaflops será instalada em Macaíba e integra pacote de R$ 23 bilhões do PBIA até 2028
Governo licita supercomputador de IA de R$ 1 bi no RN

O governo federal abriu, em 20 de agosto de 2026, um edital de até R$ 1 bilhão para comprar um supercomputador voltado a inteligência artificial, que deverá ser instalado no Parque Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, no Rio Grande do Norte. O equipamento terá capacidade de 7.200 petaflops e é a peça central de um novo ciclo do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), anunciado durante evento em Macaíba pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A operação será conduzida com apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), usando recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a capacidade projetada colocaria o Brasil entre os dez países com maior poder de processamento dedicado a IA no mundo.

Quem poderá usar o supercomputador

De acordo com as informações divulgadas pelo governo e reproduzidas por Mobile Time, O Olhar e G1, a infraestrutura não ficará restrita a órgãos públicos. Empresas, startups, universidades e instituições científicas terão acesso à máquina para treinar modelos, rodar pesquisas e desenvolver aplicações de IA em áreas como saúde, agricultura, indústria e prevenção de desastres climáticos.

O edital, segundo apuração do Mobile Time, deve levar de três a seis meses até a escolha do fornecedor, com até seis empresas aptas a apresentar propostas. Depois disso, a estimativa oficial é de 12 a 18 meses para o equipamento entrar em operação, caso não haja contestações no processo. O G1 apurou que o início das atividades está previsto para 2027, embora o cronograma dependa da conclusão sem entraves da disputa.

Para dimensionar o salto de capacidade, o Mobile Time comparou a nova máquina ao supercomputador Santos Dumont, hoje o mais avançado do país, sediado no LNCC em Petrópolis (RJ). O Santos Dumont opera com cerca de 27 petaflops e levaria de dois a três anos para treinar um modelo do porte do GPT-4; o novo equipamento, com capacidade cerca de 20 vezes maior, faria o mesmo trabalho em cerca de um mês, segundo a reportagem.

Segunda frente: parceria com empresas chinesas no Rio

Além da máquina do Rio Grande do Norte, o governo anunciou uma segunda linha de investimento, batizada de Rota 2, que prevê a instalação de outro supercomputador no Rio de Janeiro. A estrutura será executada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) em parceria com as chinesas Huawei e iFlytek, com aporte de R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos.

O projeto, com início de operação previsto para julho de 2027, tem como objetivo desenvolver um modelo de linguagem de grande escala em português, similar ao usado por ferramentas como ChatGPT, além de qualificar cerca de 3 mil profissionais brasileiros no período, conforme apurado por O Olhar e G1.

Chips nacionais, nuvem própria e fiscalização de IA

Uma terceira frente, de prazo mais longo (entre 10 e 15 anos segundo o G1), busca ampliar a capacidade brasileira de fabricar chips com arquitetura aberta RISC-V, em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona. A proposta é reduzir a dependência de tecnologias controladas por poucas empresas ou países.

O pacote também inclui a criação da Nuvem Brasileira, iniciativa que reúne o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, a Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serpro e o BNDES para estruturar um serviço nacional de armazenamento e processamento de dados em nuvem, com padrões abertos.

Outra medida é a criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, que ficará a cargo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O órgão terá função técnica, dedicada a pesquisar métodos de auditoria, avaliação de riscos e identificação de vieses em sistemas de IA, mas não terá poder de aplicar sanções, papel que continua com as autoridades competentes, segundo o G1.

O conjunto de iniciativas do PBIA soma R$ 23 bilhões previstos entre 2024 e 2028. Segundo a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, 64% desse valor já havia sido executado até o anúncio. Durante o evento, o presidente da Câmara, Hugo Motta, também assumiu o compromisso de levar o Marco Legal da Inteligência Artificial a votação até o fim do ano, segundo registrou o Mobile Time.

O que muda na prática para empresas e pesquisadores

Para empresas de tecnologia, startups e centros de pesquisa, o anúncio sinaliza que haverá, a partir de 2027, capacidade nacional de processamento em escala hoje inexistente no país, hoje dependente majoritariamente de provedores de nuvem estrangeiros para treinar modelos de IA em grande volume. Até lá, o acesso à nova infraestrutura depende da conclusão do edital e da definição de regras de uso, que ainda não foram detalhadas nas fontes consultadas.

Não há, até o momento, informações sobre custo de acesso para empresas privadas, critérios de priorização de projetos ou se haverá fila de espera quando a máquina entrar em operação. Também não foi divulgado o nome do fornecedor vencedor, já que o processo de edital ainda está em curso. Quem depende de infraestrutura de IA em nuvem no Brasil segue, por ora, restrito às opções comerciais já disponíveis no mercado, enquanto acompanha os próximos passos do edital e o cronograma de instalação em Macaíba e no Rio de Janeiro.

Fontes consultadas

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