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Melhores filmes franceses dos anos 2000: a década da conquista

Saguão de cinema moderno visto de fora à noite, com brilho quente do interior refletido no vidro

Os anos 2000 foram a década em que o cinema francês conquistou o público estrangeiro. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain virou fenômeno mundial em 2001, e depois vieram Os Coristas, O Escafandro e a Borboleta, Entre os Muros da Escola e a comédia A Riviera não é Aqui, que quebrou todos os recordes de bilheteria na França.

É a porta de entrada mais fácil de todas as décadas. Os filmes são contemporâneos na linguagem, generosos com o espectador e, ao contrário dos anos 60 e 70, não exigem contexto histórico para funcionar. Quem nunca viu nada francês deve começar por aqui.

Melhores filmes franceses dos anos 2000: a lista

FilmeAnoDireçãoPor que ver
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain2001Jean-Pierre JeunetO filme francês mais visto no mundo
O Pacto dos Lobos2001Christophe GansTerror histórico com artes marciais, sem paralelo
Ser e Ter2002Nicolas PhilibertDocumentário de escola rural que emocionou o país
Os Coristas2004Christophe BarratierInternato, coral e sentimento sem culpa
Eterno Amor2004Jean-Pierre JeunetPrimeira Guerra e busca amorosa em grande escala
Batimento do Meu Coração Parou2005Jacques AudiardViolência e piano na mesma personagem
Caché2005Michael HanekeVigilância, culpa colonial e um final que divide
A Marcha dos Pinguins2005Luc JacquetDocumentário de natureza com Oscar
Persépolis2007Satrapi e ParonnaudAnimação em preto e branco sobre exílio iraniano
O Escafandro e a Borboleta2007Julian SchnabelCâmera subjetiva radical, baseado em livro real
Entre os Muros da Escola2008Laurent CantetPalma de Ouro, sala de aula em quase documentário
A Riviera não é Aqui2008Dany BoonRecorde absoluto de bilheteria na França

Três coisas que mudaram

A primeira é a exportação. Antes dos anos 2000, filme francês fora da França era assunto de cineclube. Amélie mudou isso ao alcançar salas comerciais no mundo inteiro, e abriu caminho para os que vieram depois.

A segunda é o documentário. Duas produções documentais viraram fenômeno de público na década, uma sobre uma escola rural de classe única e outra sobre a migração dos pinguins. Documentário deixou de ser nicho e virou programa de sala grande.

A terceira é a comédia regional. O maior sucesso de todos foi uma comédia sobre o preconceito dos franceses do sul contra os do norte, construída em cima de sotaque e de dialeto. É o oposto do filme exportável, e ainda assim quebrou todos os recordes internos.

O paradoxo da bilheteria

Tipo de filmeAlcanceExemplo da década
Comédia regionalEnorme na França, quase nulo foraA Riviera não é Aqui
Fantasia visualGrande dentro e foraAmélie Poulain
Drama socialMédio, forte em festivalEntre os Muros da Escola
DocumentárioGrande, surpreendenteSer e Ter
Animação adultaNicho, com prestígioPersépolis

Amélie, mais de vinte anos depois

Vale um aviso para quem for assistir hoje: o filme criou uma imagem de Paris tão idealizada que virou objeto de crítica na própria França, por mostrar uma cidade sem a diversidade que ela tem. Conhecer essa crítica não estraga o filme, mas evita confundir o cartão-postal com o país.

Onde essa década se apoia

O humanismo social daqui vem direto do que se fez antes: os grandes filmes franceses dos anos 90 abriram o caminho da periferia e do drama de classe.

Boa parte destes títulos está em catálogo hoje, e o guia de onde assistir filmes franceses mostra em que serviço procurar cada um.

Um deles levou a maior premiação do país em Cannes, e a lista dos filmes franceses que ganharam a Palma de Ouro coloca essa vitória em perspectiva histórica.

Quem gostar do que viu aqui e quiser entender a origem da linguagem deve seguir para o que foi a Nouvelle Vague, que explica escolhas que continuam presentes.

E o mapa completo por década está em melhores filmes franceses de todos os tempos.

O caminho até o reconhecimento internacional

A década foi a de maior circulação do cinema francês fora do país, e isso aconteceu por três portas distintas, que vale saber diferenciar:

Porta de entradaComo funcionaEfeito
Festival europeuSeleção oficial em Cannes, Berlim ou VenezaPrestígio e distribuição de arte
Categoria de filme estrangeiroIndicação enviada pelo paísAlcance de público nos Estados Unidos
Animação e documentárioCategorias com concorrência menorVisibilidade desproporcional ao orçamento
Sucesso comercial diretoDistribuição ampla sem passar por prêmioBilheteria e efeito de longo prazo

Por que a animação virou vitrine

A França tem uma tradição de animação adulta que não existe na maior parte dos países, com apoio público específico e escolas dedicadas. Nos anos 2000 isso apareceu em produções de traço autoral e tema político, muito distantes do padrão de animação infantil, e essa diferença abriu espaço em festivais e em premiações internacionais.

O efeito no cinema seguinte

O sucesso internacional dessa década mudou o financiamento: coproduções com outros países europeus viraram norma, e o orçamento médio subiu. A consequência foi boa para a circulação e discutível para a diversidade, porque projeto pensado para exportar tende a evitar o que é local demais, que é justamente o que fez a maior bilheteria do período.

Perguntas frequentes sobre os filmes franceses dos anos 2000

Qual o melhor filme francês dos anos 2000?

Amélie Poulain, de 2001, é o mais conhecido e o mais exportado. Entre os de maior prestígio crítico, Entre os Muros da Escola, Palma de Ouro em 2008, e Persépolis lideram.

Qual filme francês fez mais público na França?

A comédia regional de 2008 sobre o choque entre o norte e o sul do país, construída em cima de sotaque e dialeto. Bateu o recorde histórico interno e teve pouquíssimo alcance fora.

Os anos 2000 são bons para começar?

São os melhores para começar. A linguagem é contemporânea, os filmes não exigem contexto histórico e o acesso em catálogo no Brasil é o mais fácil de todas as décadas.

Por que Amélie é criticado na França?

Por apresentar uma Paris idealizada, sem a diversidade real da cidade. É uma crítica de representação, não de qualidade, e conhecer o argumento ajuda a não confundir o filme com um retrato documental.

Vale ver os documentários dessa década?

Vale. Dois deles foram fenômenos de bilheteria com temas simples, uma escola rural e a migração dos pinguins, e mostram como a França trata documentário como cinema de sala grande, não como nicho.

Leia também: confira a coletânea de insights e a série de marketing.

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