Melhores filmes franceses dos anos 90: a periferia e a fantasia

Os anos 90 franceses foram partidos em dois. De um lado, o cinema social que trouxe a periferia para o centro, com O Ódio como divisor de águas. Do outro, uma fantasia visual barroca que produziu Delicatessen, A Cidade das Crianças Perdidas e O Quinto Elemento. As duas metades quase não conversavam, e as duas envelheceram bem.
Foi também a década em que o cinema francês voltou a exportar em escala. Léon, O Profissional e O Quinto Elemento foram rodados em inglês e distribuídos como produção internacional, abrindo um caminho que se tornaria comum depois.
Melhores filmes franceses dos anos 90: a lista
| Filme | Ano | Direção | Por que ver |
|---|---|---|---|
| Nikita | 1990 | Luc Besson | Ação estilizada com protagonista feminina inédita |
| Delicatessen | 1991 | Jeunet e Caro | Distopia cômica em prédio de açougueiro |
| Os Visitantes | 1993 | Jean-Marie Poiré | Comédia de viagem no tempo, fenômeno de bilheteria |
| Léon, O Profissional | 1994 | Luc Besson | Matador e menina, produção francesa em inglês |
| A Rainha Margot | 1994 | Patrice Chéreau | Época suja e violenta, o oposto do filme de fantasia |
| O Ódio | 1995 | Mathieu Kassovitz | Vinte e quatro horas na periferia, em preto e branco |
| A Cidade das Crianças Perdidas | 1995 | Jeunet e Caro | Direção de arte que virou referência mundial |
| Ridículo | 1996 | Patrice Leconte | A corte de Versalhes decidida por quem fala melhor |
| O Quinto Elemento | 1997 | Luc Besson | Ficção científica pop com desenho francês de quadrinhos |
| Marius e Jeannette | 1997 | Robert Guédiguian | Romance operário em Marselha, sem idealização |
| Ninguém Me Ama | 1997 | Agnès Jaoui | Comédia de costumes com diálogo afiadíssimo |
| A Vida Sonhada dos Anjos | 1998 | Érick Zonca | Amizade e precariedade, com atuação premiada em Cannes |
O Ódio e a virada social
O filme de 1995 sobre vinte e quatro horas de três amigos em um conjunto habitacional depois de um confronto com a polícia fez algo raro: virou assunto político nacional. Foi exibido para membros do governo, discutido no parlamento e definiu a imagem que a França passou a ter de si mesma nesse tema.
Tecnicamente, é o oposto do cinema da década anterior. Preto e branco, câmera na mão, elenco jovem pouco conhecido, sem trilha original em boa parte da metragem. A escolha do preto e branco em pleno auge da imagem saturada era, por si só, uma declaração.
A outra metade: fantasia e direção de arte
Enquanto isso, uma dupla de diretores vinda da animação e da publicidade construía mundos inteiros em estúdio, com cor tratada, lentes deformantes e cenário barroco. A influência dessa estética foi imensa fora da França, sobretudo no cinema de fantasia americano e no videoclipe.
O cinema francês em inglês
Três produções francesas da década foram rodadas em inglês, com elenco internacional e orçamento alto, e funcionaram no mercado americano. Isso abriu uma discussão que continua: até que ponto uma produção assim ainda é cinema francês. Do ponto de vista de financiamento e direção, é. Do ponto de vista de língua e de imaginário, a resposta é menos simples.
O que veio antes e depois
A fantasia visual desta década é herdeira direta da anterior: os grandes filmes franceses dos anos 80 criaram a linguagem que aqui virou barroca.
E o cinema social daqui desemboca no reconhecimento internacional do período seguinte: os principais filmes franceses dos anos 2000 levaram esse humanismo a Cannes e ao Oscar.
Boa parte destes títulos circula em catálogo no Brasil, e o guia de onde procurar cinema francês em catálogo indica onde procurar cada tipo.
Para seguir por autor em vez de por década, a lista dos melhores diretores franceses cobre os nomes que estrearam aqui e seguiram nas décadas seguintes.
O panorama completo está em filmes franceses essenciais de todas as épocas.
O que aconteceu com essa geração depois
A década de 90 lançou nomes que definiriam os vinte anos seguintes, e acompanhar o que cada um fez em seguida é o melhor jeito de continuar a partir daqui:
| Nome | Estreia nos anos 90 | Para onde foi |
|---|---|---|
| Mathieu Kassovitz | Drama social em preto e branco | Thriller e atuação internacional |
| Jean-Pierre Jeunet | Fantasia visual com direção de arte densa | Sucesso mundial nos anos 2000 |
| Luc Besson | Ação estilizada em inglês | Produtor de grande escala |
| Vincent Cassel | Estreia como jovem de periferia | Carreira internacional longa |
| Agnès Jaoui | Comédia de costumes com diálogo afiado | Direção e roteiro premiados |
A herança do cinema social
A linhagem aberta pelo drama de periferia dos anos 90 não parou: ela desemboca no cinema de escola, de prisão e de imigração dos anos 2000, que renderia à França sua premiação mais importante em Cannes naquele período. Quem gosta desse registro tem uma continuidade clara para seguir.
A herança visual
O outro lado, o da fantasia barroca, teve influência maior fora da França que dentro. A composição saturada, a lente deformante e o cenário construído em estúdio viraram vocabulário do cinema de fantasia americano e do videoclipe dos anos 2000, muitas vezes sem crédito à origem.
Perguntas frequentes sobre os filmes franceses dos anos 90
Qual o melhor filme francês dos anos 90?
O Ódio, de 1995, é o mais importante pelo impacto social e pela influência estética. Entre os de maior alcance popular, Os Visitantes e O Quinto Elemento lideram.
Por que O Ódio é em preto e branco?
Por escolha estética e política. Em plena década de imagem saturada, o preto e branco marcava distância do cinema comercial e aproximava o filme do registro documental e do fotojornalismo.
Léon e O Quinto Elemento são filmes franceses?
São produções francesas rodadas em inglês, com direção francesa e financiamento francês. A classificação gera debate por causa da língua e do elenco internacional, mas do ponto de vista de produção, sim.
Qual filme francês dos anos 90 ver primeiro?
Delicatessen, se você gosta de humor visual, ou O Ódio, se prefere drama social. Os Visitantes funciona bem como entrada leve, mas o humor depende bastante de referência cultural francesa.
O que aconteceu com o cinema de autor nessa década?
Continuou forte, sobretudo no drama social e na comédia de costumes com diálogo elaborado, mas dividiu espaço e financiamento com as grandes produções de exportação, o que gerou tensão no setor.
Leia também: nosso índice de saude e a coletânea de insights.


