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Melhores filmes franceses dos anos 80: o cinema de imagem

Cabine de projeção antiga com projetor em funcionamento e luz azul saindo da lente no escuro

Os anos 80 franceses foram os do cinéma du look: uma geração formada em publicidade e videoclipe que colocou a imagem à frente da narrativa, com cor saturada, luz de neon e enquadramento de anúncio. Diva, Subway, Betty Blue e O Grande Azul definem o período, ao lado do épico rural de Jean de Florette e da comédia que virou fenômeno.

Foi a década mais atacada pela crítica no seu tempo e a mais reabilitada depois. A acusação era de superficialidade, de filme bonito e vazio. Trinta anos depois, essa mesma linguagem virou padrão do audiovisual mundial, e os filmes envelheceram bem melhor que as resenhas.

Melhores filmes franceses dos anos 80: a lista

FilmeAnoDireçãoPor que ver
Diva1981Jean-Jacques BeineixMarco zero do cinéma du look, thriller e ópera
O Último Metrô1980François TruffautTeatro sob ocupação nazista, com César de sobra
A Festa1980Claude PinoteauComédia adolescente que definiu uma geração
Subway1985Luc BessonFuga no metrô de Paris como universo próprio
Três Solteirões e um Bebê1985Coline SerreauMaior bilheteria francesa da década
Betty Blue1986Jean-Jacques BeineixPaixão e colapso em cor quente e excesso
Jean de Florette1986Claude BerriÉpico rural em duas partes, ganância e água
Manon des Sources1986Claude BerriA segunda metade, com a vingança que fecha a história
Adeus, Meninos1987Louis MalleInfância, colégio interno e delação, sem sentimentalismo
O Grande Azul1988Luc BessonMergulho livre, obsessão e um culto que dura
Camille Claudel1988Bruno NuyttenBiografia de escultora, com atuação central antológica

O que é cinéma du look

O termo, cunhado pela crítica, descreve três diretores que estrearam no início da década vindos de fora do cinema tradicional. O que os unia era o método: cor tratada como personagem, cenários estilizados, trilha próxima do pop, e histórias simples contadas com aparato visual grande.

TraçoComo aparece
Cor saturadaAzul e vermelho dominantes, quase sem tons neutros
Luz artificial assumidaNeon, luz de rua e reflexo em superfície molhada
Cenário estilizadoMetrô, garagem, loft vazio como espaço de fantasia
Herói marginalJovem fora do sistema, sem projeto de vida
Trilha popSintetizador em primeiro plano, não fundo

O contraponto rural

Enquanto isso, o maior sucesso crítico da década foi o oposto: uma adaptação literária em duas partes, filmada na Provença, sobre disputa de água e ganância camponesa. Foi a prova de que o cinema francês de época e de patrimônio continuava vivo, e ele voltaria com força nos anos 90.

A comédia que ninguém previu

A maior bilheteria francesa do período foi uma comédia sobre três homens cuidando de um bebê. Ela gerou refilmagem americana de sucesso imediato e mostrou uma constante do mercado francês: comédia popular sustenta financeiramente o cinema de autor que a crítica prefere.

Antes e depois desta década

A ruptura com o que veio antes é total: os grandes filmes franceses dos anos 70 eram secos e realistas, exatamente o que esta geração recusou.

A continuação vem em seguida, e mistura o visual dos anos 80 com uma virada social: os principais filmes franceses dos anos 90 trazem a periferia para o centro sem abandonar a ambição de imagem.

Vários desses títulos estão em catálogo hoje, e o texto sobre onde encontrar filmes franceses no Brasil reúne os serviços que mantêm acervo francês no Brasil.

Para o recorte por prêmio, os vencedores franceses da Palma de Ouro mostram o que Cannes escolheu enquanto o público lotava as salas de comédia.

E o mapa das sete décadas está em principais filmes franceses de todos os tempos.

Os intérpretes que a década revelou

Os anos 80 renovaram o elenco do cinema francês quase por completo. A geração que dominava desde os anos 60 dividiu espaço com nomes novos, muitos deles vindos do teatro ou descobertos em testes abertos:

IntérpreteO que trouxeFilme de referência
Isabelle AdjaniIntensidade dramática levada ao limiteCamille Claudel
Béatrice DallePresença crua, estreia como protagonistaBetty Blue
Daniel AuteuilVilania sem caricaturaJean de Florette
Jean RenoSilêncio e físico, parceiro recorrenteO Grande Azul
Christophe LambertHerói urbano do cinéma du lookSubway

A dupla que definiu o período

A parceria entre um diretor e um intérprete fixo é uma marca da década: vários dos filmes mais lembrados são o terceiro ou quarto trabalho da mesma dupla, o que dá continuidade de personagem entre obras diferentes. É um traço que o cinema francês manteve depois e que quase não existe no cinema americano do mesmo período.

O César como termômetro

O prêmio nacional francês, criado em 1976, ganhou peso justamente nos anos 80, e sua lista de vencedores mostra uma disputa constante entre o cinema de imagem e o cinema de época. Consultar os vencedores de melhor filme década a década é um atalho para entender o que o meio francês valorizava em cada momento.

Perguntas frequentes sobre os filmes franceses dos anos 80

Qual o melhor filme francês dos anos 80?

Jean de Florette e sua continuação Manon des Sources formam o conjunto mais premiado. Entre os de linguagem nova, Diva, de 1981, é o marco inicial e o mais influente.

O que significa cinéma du look?

É o nome dado pela crítica a um grupo de diretores que privilegiou a imagem sobre a narrativa, com cor saturada, neon, cenário estilizado e trilha pop. Estrearam no início dos anos 80, vindos de publicidade e videoclipe.

Por que a crítica atacou esses filmes na época?

Por considerá-los bonitos e vazios, herdeiros da publicidade e não do cinema. A avaliação mudou com o tempo: a linguagem que eles inauguraram virou padrão do audiovisual, e os filmes envelheceram melhor que as críticas.

Qual foi a maior bilheteria francesa dos anos 80?

A comédia sobre três homens que precisam cuidar de um bebê, de 1985, que depois virou refilmagem americana. Comédia popular financiando cinema de autor é uma constante do mercado francês.

Por qual filme dos anos 80 começar?

Jean de Florette, se você gosta de drama de época, ou Diva, se prefere thriller com visual forte. O Grande Azul funciona bem para quem quer algo mais contemplativo.

Leia também: a coletânea de entretenimento e confira a coletânea de noticias.

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