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Melhores diretores franceses: quem ver primeiro e por qual filme

Cadeira de diretor em lona ao lado de refletor de estúdio em set escuro, com luz quente lateral

Os melhores diretores franceses cobrem quase um século: Jean Renoir e Robert Bresson na fundação, Jean-Luc Godard, François Truffaut e Agnès Varda na ruptura dos anos 60, Jean-Pierre Melville no policial, Luc Besson e Jean-Pierre Jeunet na virada visual, e Jacques Audiard, Claire Denis e Céline Sciamma no cinema contemporâneo.

Acompanhar um diretor do começo ao fim ensina mais que pular entre títulos soltos. O cinema francês é organizado assim desde que a política dos autores foi formulada nos anos 1950, e é por isso que o catálogo dos serviços de streaming costuma separá-lo por nome de direção, e não por gênero.

Melhores diretores franceses e por onde entrar em cada um

DireçãoPeríodoMarcaComeçar por
Jean Renoir1920 a 1960Humanismo, profundidade de campoA Grande Ilusão (1937)
Robert Bresson1940 a 1980Atuação contida ao extremo, som como narrativaUm Condenado à Morte Escapou (1956)
Jacques Tati1940 a 1970Comédia física, quase sem diálogoAs Férias do Sr. Hulot (1953)
Jean-Pierre Melville1940 a 1970Policial silencioso e código de honraO Samurai (1967)
François Truffaut1950 a 1980Afeto, infância e amor pelo cinemaOs Incompreendidos (1959)
Jean-Luc Godard1950 a 2020Ruptura formal permanenteAcossado (1960)
Agnès Varda1950 a 2010Documentário e ficção sem fronteiraCléo das 5 às 7 (1962)
Éric Rohmer1960 a 2000Conversa, moral e verãoMinha Noite com Ela (1969)
Louis Malle1950 a 1990Temas incômodos sem julgamentoAdeus, Meninos (1987)
Luc Besson1980 a hojeAção estilizada e imagem publicitáriaNikita (1990)
Jean-Pierre Jeunet1990 a hojeDireção de arte barroca e cor tratadaDelicatessen (1991)
Jacques Audiard1990 a hojeViolência e delicadeza na mesma cenaO Profeta (2009)
Claire Denis1980 a hojeCorpo, colônia e elipseBom Trabalho (1999)
Céline Sciamma2000 a hojeOlhar, desejo e composição pictóricaRetrato de uma Jovem em Chamas (2019)

Como escolher por onde começar

Não comece pelo mais celebrado, comece pelo mais próximo do que você já gosta:

  • Se você gosta de policial e ação: Melville primeiro, Besson depois, Audiard em seguida.
  • Se você gosta de drama de personagem: Truffaut, depois Malle, depois Sciamma.
  • Se você gosta de comédia: Tati, com paciência para o ritmo lento e o humor de observação.
  • Se você gosta de conversa: Rohmer, que é quase teatro filmado, no melhor sentido.
  • Se você gosta de imagem forte: Jeunet, depois Besson.
  • Se você quer entender a história do cinema: Renoir e Bresson, nessa ordem.

Godard é para depois

É o nome mais citado em lista de melhores e o pior primeiro passo possível. A obra dele é uma discussão permanente com a própria linguagem do cinema, e sem repertório o efeito costuma ser de irritação, não de descoberta. Guarde para quando já tiver visto uns quinze filmes franceses.

As direções que a lista tradicional esquece

Listas antigas de melhores diretores franceses costumam trazer só homens do período clássico. Agnès Varda dirigiu por seis décadas e foi a única mulher no núcleo da Nouvelle Vague; Claire Denis e Céline Sciamma estão entre os nomes mais influentes do cinema mundial contemporâneo. Ficar só no cânone dos anos 60 é perder metade do que a França fez.

Onde ver esses nomes em contexto

A ideia que colocou a direção no centro nasceu em um momento específico, e entender o que foi o movimento da Nouvelle Vague explica por que o cinema francês se organiza por autor até hoje.

A maior concentração destes nomes está em uma década só: os melhores filmes franceses dos anos 60 reúnem quase todos eles em atividade simultânea.

Boa parte dessas obras passou por Cannes, e a lista dos filmes franceses premiados com a Palma de Ouro mostra quais direções o festival consagrou em cada época.

Para ver o desdobramento visual desses nomes na década do excesso, os melhores filmes franceses dos anos 80 trazem a geração que veio da publicidade.

E o guia geral por década está em principais filmes franceses de todos os tempos.

Como acompanhar uma filmografia inteira

Ver a obra completa de um diretor é diferente de ver filmes soltos, e há três métodos que funcionam melhor que a ordem aleatória:

  1. Cronológico puro: do primeiro ao último. Mostra a evolução técnica com clareza, mas costuma começar pelo filme mais fraco, o que desanima.
  2. Do reconhecido para trás: comece pelo mais celebrado e vá recuando. É o método com maior taxa de conclusão, porque a primeira impressão é a melhor.
  3. Por fase: muitos diretores têm dois ou três períodos distintos. Ver dois filmes de cada fase ensina mais que ver seis da mesma.

Quantos filmes bastam para conhecer alguém

ObjetivoQuantidadeComo escolher
Saber se gosta1 filmeO mais celebrado da carreira
Entender o estilo3 filmesUm de cada fase, com intervalo de anos
Conhecer de verdade6 a 8 filmesIncluir um fracasso e um filme de encomenda

A linha do meio é a que rende mais. Um filme só engana com frequência: muitos diretores têm uma obra atípica que é justamente a mais conhecida, e quem para nela sai com a impressão errada da carreira inteira.

O filme de encomenda diz muito

Um conselho pouco óbvio: inclua no percurso um filme feito por encomenda, dentro de um gênero que não é o do diretor. É ali que a assinatura aparece com mais clareza, porque tudo o que não é escolha dele foi imposto, e o que sobra de pessoal é o que realmente define seu trabalho.

Perguntas frequentes sobre diretores franceses

Quem é o maior diretor francês de todos os tempos?

Jean Renoir e Jean-Luc Godard dividem o topo das listas especializadas: Renoir pela fundação de uma linguagem humanista, Godard pela ruptura formal permanente. Para o espectador comum, Truffaut costuma ser o mais gratificante.

Por qual diretor francês começar?

Por François Truffaut, que é o mais acolhedor, ou por Jean-Pierre Melville, se você gosta de policial. Evite começar por Godard: sem repertório, a obra dele costuma afastar em vez de atrair.

Quem foi Agnès Varda?

Diretora que trabalhou por seis décadas, única mulher no núcleo da Nouvelle Vague, e que transitou entre documentário e ficção sem separar os dois. Cléo das 5 às 7, de 1962, é a porta de entrada.

Existem diretoras francesas importantes hoje?

Sim, e estão entre os nomes mais influentes do cinema mundial contemporâneo, com prêmios nos principais festivais. Listas antigas as ignoram porque foram feitas antes de essas carreiras se consolidarem.

O que é cinema de autor?

É a ideia de que o diretor imprime uma assinatura reconhecível em toda a obra e por isso deve ser tratado como autor do filme. A formulação é francesa, dos anos 1950, e organizou a crítica de cinema no mundo inteiro.

Leia também: veja o índice de saude e nossa série de insights.

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