DataRoom
6 editoriasem pauta: Entretenimento
Entretenimento

Melhores filmes franceses dos anos 60: a década que mudou o cinema

Interior de cinema de arte com fileiras de poltronas vermelhas vazias e feixe do projetor no escuro

Os anos 60 são a década mais influente do cinema francês. Acossado, Jules e Jim, Cléo das 5 às 7, O Desprezo, Os Guarda-Chuvas do Amor e O Samurai saíram todos em um intervalo de sete anos, e juntos reescreveram o que um filme podia ser: rodado na rua, com luz natural, equipe pequena e montagem que assume o corte em vez de escondê-lo.

O que aconteceu ali não foi uma escola com manifesto, e sim um grupo de críticos que decidiu filmar. Eles escreviam na revista Cahiers du cinéma atacando o cinema francês de estúdio, que chamavam de cinema de qualidade, e a certa altura passaram do texto à câmera. A diferença entre teoria e prática durou pouco: os filmes chegaram brigados com tudo o que vinha antes.

Melhores filmes franceses dos anos 60: a lista

FilmeAnoDireçãoPor que ver
Acossado1960Jean-Luc GodardO corte seco vira estilo; marco zero da Nouvelle Vague
Jules e Jim1962François TruffautTriângulo amoroso com leveza e melancolia raras
Cléo das 5 às 71962Agnès VardaDuas horas de espera em tempo quase real
O Desprezo1963Jean-Luc GodardCor, Cinemascope e a morte de um casamento
Os Guarda-Chuvas do Amor1964Jacques DemyMusical inteiramente cantado, em cores de doce
O Demônio das Onze Horas1965Jean-Luc GodardFuga romântica que se desmonta em colagem
A Grande Farsa1966Gérard OuryA comédia popular que bateu recorde de público
Playtime1967Jacques TatiComédia sem falas construída em cidade cenográfica
O Samurai1967Jean-Pierre MelvillePolicial minimalista que influenciou meio mundo
A Bela da Tarde1967Luis BuñuelDesejo e fantasia sem nenhuma explicação
Z1969Costa-GavrasThriller político que virou modelo do gênero
Minha Noite com Ela1969Éric RohmerConversa, moral e desejo em quase tempo real

O que mudou na prática

Três invenções técnicas explicam o resto. A primeira é a câmera leve: equipamentos portáteis permitiram filmar na calçada, dentro do carro, no quarto pequeno, sem trilhos e sem estúdio. A segunda é a película mais sensível, que dispensou o aparato de iluminação e deixou entrar a luz que já existia no lugar. A terceira é o som direto, gravado na hora, com o ruído da rua junto.

O corte que virou assinatura

O jump cut, aquele salto dentro da mesma cena que deixa o movimento truncado, era considerado erro. Em Acossado ele aparece dezenas de vezes, de propósito, e passou a significar pressa, nervosismo, tempo comprimido. Hoje está em publicidade e em vídeo de internet sem que ninguém saiba de onde veio.

Nem tudo era Nouvelle Vague

Vale corrigir um engano comum. A década também teve o maior sucesso popular da história do país até então, uma comédia de guerra sobre dois franceses ajudando aviadores ingleses, e teve o policial de gênero mais rigoroso já feito na França. Os dois circuitos conviveram, e reduzir os anos 60 franceses ao grupo dos Cahiers apaga metade do que se produziu.

Por onde começar nessa década

  1. Se você gosta de romance: Jules e Jim, depois Os Guarda-Chuvas do Amor.
  2. Se você gosta de policial: O Samurai, e em seguida o que veio na década seguinte.
  3. Se você gosta de comédia: Playtime, com paciência para o ritmo, ou A Grande Farsa, mais direta.
  4. Se você quer entender o movimento: Acossado primeiro, e Cléo das 5 às 7 logo depois, para ver a outra face dele.

De onde veio e para onde foi

A explosão não nasceu do nada: os principais filmes franceses dos anos 50 são exatamente o alvo contra o qual essa geração escreveu, e conhecer o alvo faz o ataque ganhar sentido.

Para entender o movimento como ideia, e não só como lista de títulos, vale ler o que foi o movimento da Nouvelle Vague, com a teoria do autor e o papel da revista que a formulou.

O desdobramento veio logo depois, e foi mais escuro: os principais filmes franceses dos anos 70 trocam a euforia pelo desencanto do pós-1968.

E como quase tudo dessa década se organiza por nome de direção, a lista dos principais diretores franceses ajuda a seguir uma obra inteira em vez de pular de filme em filme.

A visão geral das sete décadas está em melhores filmes franceses de todos os tempos.

Perguntas frequentes sobre os filmes franceses dos anos 60

Qual o melhor filme francês dos anos 60?

Acossado, de 1960, é o mais citado pela influência que teve na linguagem do cinema. Para quem busca prazer imediato de espectador, Jules e Jim e Os Guarda-Chuvas do Amor envelheceram melhor.

O que é jump cut e por que ele aparece tanto?

É um corte dentro da mesma cena que salta parte do movimento e deixa a imagem truncada. Era considerado erro técnico até Acossado usá-lo de propósito, dezenas de vezes, para dar sensação de pressa.

Todos os filmes franceses dos anos 60 são Nouvelle Vague?

Não. A década também produziu comédia popular de grande bilheteria e policial de gênero rigoroso, circuitos que conviviam com o movimento. Reduzir a década ao grupo dos Cahiers apaga metade da produção.

Qual filme francês dos anos 60 ver primeiro?

Jules e Jim, se você gosta de romance, ou O Samurai, se prefere policial. Deixe Acossado para o segundo ou terceiro: ele é mais interessante quando já se sabe contra o que ele foi feito.

Por que esses filmes parecem mal acabados?

Porque foram, de propósito. Luz natural, som de rua, equipe pequena e corte visível eram recusa deliberada do acabamento de estúdio, que a geração anterior tratava como sinal de qualidade.

CompartilharWhatsAppFacebookX
Relacionados

Leia também