O Sebrae anunciou, nesta quinta-feira (30), a assinatura do Coopera+ Amazônia com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com investimento de R$ 103 milhões, o projeto atenderá 50 cooperativas e aproximadamente 6 mil famílias — cerca de 12 mil pessoas — no Acre, Amazonas, Maranhão, Pará e Rondônia. A formalização permite o início das contratações das consultorias, serviços, equipamentos e demais ações previstas na iniciativa.
A notícia foi compartilhada durante uma transmissão online que reuniu representantes das 24 cooperativas selecionadas para o primeiro ciclo, além de representantes do Sebrae no Maranhão, Pará e Rondônia e integrantes do BNDES. Do total investido, 97% serão financiados pelo Fundo Amazônia e 3% pelo Sebrae, com foco nas cadeias produtivas do babaçu, açaí, cupuaçu e castanha-do-brasil.
A analista de Inovação e coordenadora do projeto no Sebrae, Ana Carolina Westrup, destacou que a assinatura transforma em realidade o planejamento construído com as cooperativas. “Tudo o que conversamos com as cooperativas vai começar a acontecer. Agora, vamos partir dos planos de melhoria elaborados com cada uma delas para iniciar as contratações das consultorias e das soluções necessárias”, afirmou.
Ainda de acordo com Ana Carolina, as ações poderão contribuir para o desenvolvimento de produtos, a abertura de novos mercados e a melhoria da infraestrutura produtiva. A próxima etapa será uma imersão, prevista para setembro, no Acre, reunindo representantes das 24 cooperativas participantes. O encontro servirá para troca de experiências, discussão da governança do projeto e início da formação do Fórum das Cooperativas.
Expectativa entre cooperativas
Para Maria Domingas Pinto, da Cooperativa das Quebradeiras de Coco Babaçu de Itapecuru-Mirim, no Maranhão, a assistência técnica e os investimentos em equipamentos podem marcar um novo momento. “Nesse processo de produção e qualificação, vamos precisar de muitos equipamentos. Saber que teremos assessoria para identificar essas necessidades e a possibilidade de aquisição representa uma perspectiva muito positiva”, afirma.
Em Rondônia, o presidente da Cooperativa Suruí de Desenvolvimento e Produção Agroflorestal Sustentável, Uraan Anderson Suruí, vê na iniciativa uma oportunidade para fortalecer a cadeia da castanha-do-brasil e ampliar o protagonismo dos povos indígenas na bioeconomia. “Acreditamos que os indígenas devem estar presentes em todas as etapas, desde a coleta na floresta até a comercialização. Quando a floresta gera renda, alimento e dignidade, ela passa a ser preservada como base da nossa sobrevivência e do nosso futuro”, destaca.
Sobre o Coopera+ Amazônia
Lançado em abril deste ano, durante a apresentação do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, do governo federal, o Coopera+ Amazônia é uma iniciativa executada pelo Sebrae em parceria com o BNDES para fortalecer o cooperativismo extrativista e impulsionar a bioeconomia na Amazônia Legal.
O projeto prevê acompanhamento técnico, diagnóstico, planejamento, consultorias especializadas, assistência técnica rural, aquisição de equipamentos, capacitação de lideranças e apoio à comercialização. Também serão desenvolvidas estratégias de inteligência de mercado, compras coletivas e agregação de valor aos produtos da sociobiodiversidade.
