Quase metade dos pequenos negócios no país já enfrentou tentativas de golpes digitais ou por telefone nos últimos 12 meses. A constatação é de uma pesquisa inédita realizada pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O levantamento, intitulado “Impactos dos golpes digitais e/ou por telefone nas empresas”, ouviu 4.466 empreendedores de diversos portes. De acordo com os dados, 44% dos pequenos negócios foram alvo dessas tentativas, um percentual próximo ao registrado entre médias e grandes empresas, que foi de 47%.
A pesquisa também mostrou que os impactos financeiros são maiores para os menores negócios. Entre as micro e pequenas empresas (MPE) que caíram em golpes, 31% relataram prejuízos financeiros. Já entre as médias e grandes empresas, essa proporção foi de 22%.
Falta de estrutura de proteção
Outro dado apontado pela pesquisa é a fragilidade na defesa preventiva das MPE. Enquanto 72% das médias e grandes empresas afirmam ter medidas estruturadas de proteção digital e ações regulares de orientação contra fraudes, apenas 17% dos pequenos negócios contam com esse nível de preparação.
Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, a transformação digital foi importante para a sobrevivência dos pequenos negócios, mas trouxe riscos que muitos empreendedores não estão preparados para enfrentar. “Estar no ambiente digital não significa apenas ter um canal de vendas ativo: exige blindagem operacional”, afirmou.
Segundo ele, o principal vetor de golpes em micro e pequenas empresas é o fator humano, como clicar em um link suspeito ou não checar um favorecido no Pix. O estelionatário se aproveita do acúmulo de funções do dono do negócio, que muitas vezes opera o caixa, atende clientes e cuida das redes sociais ao mesmo tempo.
Rodrigo Soares defende que qualificar o empreendedor para proteger seus processos digitais é tão urgente quanto ensiná-lo a fazer fluxo de caixa. “Mitigar esses riscos operacionais é, hoje, uma das estratégias mais eficazes para proteger a própria rentabilidade”, completou.
Percepção de risco
A vulnerabilidade dos pequenos negócios também se reflete na percepção de risco. Caso sofressem um golpe relevante, 45% dos pequenos negócios estimam que o impacto seria “grave” ou “muito grave”, comprometendo o funcionamento da empresa. Entre médias e grandes empresas, esse temor cai para 22%.
Os canais de ataque mais temidos pelos empreendedores variam. Boletos falsos são a principal preocupação dos pequenos negócios, citados por 38% dos entrevistados. Golpes por telefone, como falso banco ou centrais de atendimento fake, aparecem em segundo lugar, com 31%. O golpe do Pix preocupa 30% dos donos de pequenos negócios e é a maior preocupação entre os microempreendedores individuais (MEI), com 31%.
Para médias e grandes empresas, o maior temor é a invasão de sistemas ou e-mails, citado por 47% dos entrevistados. Esse risco preocupa apenas 25% dos pequenos negócios, que costumam ter estruturas tecnológicas mais simples.
